A fotografia de Claudio Edinger

 

“A fotografia de Claudio Edinger tem muitas facetas, entre as mais marcantes está no fato de que ela deriva de sua maneira de entender as coisas do mundo. Para Edinger, não existem limites fixos, mas realidades que se permeiam e se organizam em diferentes formatos e momentos. Esta percepção introduz a questão do foco seletivo. É uma linguagem que dinamiza o nosso olhar porque faz da inclusão e exclusão uma situação fluida e não estática”, conclui Claudia Jaguaribe.

Nascido no Rio de Janeiro, Claudio Edinger mudou-se para São Paulo em seu primeiro ano de vida. Em São Paulo cresceu, estudou e se formou em economia pela Universidade Mackenzie, porém nunca exerceu a profissão, apaixonado por fotografia ele dicidiu rumar para Nova York em busca de aumentar seu conhecimento na área, lá se dedicou à fotografia documental e artística, e trabalhou como fotógrafo autônomo para jornais brasileiros e norte-americanos como O Estado de S. PauloFolha de S. PauloTime, LifeRolling Stone.

Chegando em Nova York Claudio decidiu morar no Brooklin, bairro onde realizou uma pesquisa fotográfica ao longo de dois anos sobre a vida dos judeus hassídicos retratando os costumes e tradições, essa pesquisa o levou a ser convidado para expor no  ICP (International Center of Photography). Depois desses anos no Brooklin Claudio mudou-se para o famoso Chelsea Hotel, casa de vários nomes importantes no cenário da arte e da música, lá ele pode fazer muitas fotográfias resultando em seu primeiro livro, o “Chelsea Hotel”  publicado por Abbeville Press em 1983. O livro recebeu a “Leica Medal of Excellence” e é considerado um clássico da fotografia sobre os anos 70 e 80.

Depois de muitos anos em Nova York, Claudio mudou-se para a California, em Venice Beach no final da década de 60 para 70, como um dos centros do movimento de contracultura o local era um palco a céu aberto, de la saiu seu livro “Venice Beach”, também ganhador do prêmio a “Leica Medal of Excellence”.  Em 86 mudou-se para a Índia, onde começou a usar as cores para fotografar, lá pode fotografar muitos lugares e multidões de pessoas.

De volta ao Brasil devido ao falecimento de sua avó por conta do Alzheimer , Claudio decide pesquisar sobre doenças mentais, pesquisa da qual o leva ao Juqueri, maior asilo de doentes mentais da America Latina, seu projeto no asilo possibilitou o lançamento de seu livro “Madness” que ganhou prêmio Ernst Hass do Maine Photographic Workshop.

Depois de seu projeto “Madness” o fotografo dedicou 5 anos de seu trabalho ao carnaval brasileiro, fotografando  a folia no Rio, Salvador, Recife/Olinda, São Paulo e Paraty. O projeto recebeu a Bolsa Vitae e estabeleceu Edinger como um fotógrafo brasileiro essencial, agora com uma reputação internacional.

Desde os anos 2000 Claudio vem pesquisando a técnica do foco seletivo a qual coloca em evidência determinados detalhes numa imagem, enquanto outros aparecem fora de foco, como manchas numa tela. “O foco prende nossa atenção e o desfoque libera”, diz ele. Foi dessa técnica que ele deu a luz ao seu mais novo trabalho “O paradoxo do olhar”.

image

inspire seus amigos

Receba conteúdo exclusivo sobre arte, fotografia & decoração em seu e-mail